História de VIçosa

Pré História
O único estudo a respeito dos seres e vestígios pré-históricos em Viçosa partiu do historiador viçosense Alfredo Brandão que em 12 de julho de 1910 apresentou uma palestra no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL). O historiador relata ter ido à um lugar conhecido como “Chã dos Cacos”, nas proximidades do Sítio Cachoeira Grande, que era um local fértil e que as agriculturas praticadas naquela região encontravam muitos cacos em seu solo. No local o mesmo encontrou grandes vasos e cachimbos incomuns.

Em sua segunda investida, desta vez no Riacho Riachão, ele encontrou em algumas pedras graníticas, que estavam na beira do mesmo, desenhos elípticos que segundo o autor parecia mais uma forma de escrita primitiva. Além disso, foram encontrados machados de pedra polida para caça. Esses seres antigos talvez sejam ancestrais indígenas que ainda viviam no estágio paleolítico, embora algumas técnicas do Neolítico fossem praticadas.

Viçosa e o descobrimento do Brasil (1500)
“Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz” (Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha)

Serra Dois Irmãos, que segundo Alfredo Brandão seria o tal monte avistado pelos portugueses em 1500.

Baseado em Humboldt, Alfredo Brandão elaborou uma hipótese onde a Serra Dois Irmãos, localizada em terras viçosenses, seria o tal monte alto e redondo que os primeiros Portugueses a chegarem ao Brasil avistaram. A Serra Dois Irmãos tem aproximadamente 400 metros de altura e, coincidentemente ou não, uma forma arredondada e grandes arvoredos por toda a sua extensão.

Deixa-se claro que a hipótese de Alfredo Brandão nunca foi comprovada. Mas do alto da serra podem-se ver as mais distantes localidades, como a cidade de Capela que fica a aproximadamente 30 km de Viçosa e, afirmam algumas pessoas, até mesmo o Oceano Atlântico.

Civilizações Indígenas (1500 – 1556)
As terras que hoje constituem o município de Viçosa eram compostas, antes da chegada dos brancos e negros, por mata atlântica espessa de difícil acesso, o Rio Paraíba e seus afluentes – Riacho do Meio, Caçamba e Gurungumba.
Os habitantes da então região eram os cambembes – uma subtribo dos caetés. Esses índios viviam em constantes conflitos com os cariris e outras tribos tapuias das caatingas, e como Viçosa está no limite da zona da mata esses conflitos ocorriam principalmente em períodos de longa seca, uma vez que os índios das caatingas viam a Viçosa a procura de água e alimentos abundantes na região.

No dia 16 de Junho de 1556, o primeiro bispo do Brasil – Pero Fernandes Sardinha – e seus companheiros naufragaram no litoral de Alagoas. Os caetés, por sua vez, habitantes da região, seguindo os seus costumes, devoraram toda a tripulação. O reino de Portugal, diante do desta situação, declarou os caetés como inimigos e estes deveriam ser exterminados, incluindo também os Cambembes. Quase todos foram mortos, os poucos que conseguiram sobreviver fugiram para as caatingas. Viçosa ficou praticamente desabitada.

 

Índios Caetés, na qual os cambembes de Viçosa eram subtribo.

Civilizações Quilombolas (1556 – 1695)
Por apresentar um relevo muito acidentado e de difícil acesso, Viçosa foi escolhida pelos negros que fugiam dos engenhos das capitanias para abrigar parte do maior quilombo de todos, o de Palmares.
Ocorreram muitas investidas para tentar destruir Palmares, a começar pelos holandeses que em seu período de domínio ao nordeste brasileiro, enviaram expedições para estes fins. Uma destas expedições que saiam da atual cidade do Pilar foi registrada no dia 26 de fevereiro de 1645 pelo capitão holandês Blaer no Diário da expedição. Nele o capitão descrevia a geografia de Viçosa: seus rios, montanhas e matas, além dos fatos ocorridos, como a descoberta de mocambos abandonados e também alguns habitados, estes por sua vez foram destruídos.
“Esta cachoeira não é tão elevada quanto a do Parahiba que tem bem quatro vezes a sua altura; estivemos acima desta cachoeira do Parahiba, mas não junto a ella, neste lugar descansamos um pouco e enviamos um negro que trazíamos comnosco com alguns índios, a bater o matto, os quaes trouxeram-nos seis grandes porcos do matto e um pequeno, mortos a flexa, depois proseguimos na marcha e acampamos junto a margem sul do rio S. Miguel. A 14 depois de havermos subido por algum tempo esse rio, passamos para a margem norte e uma milha adiante galgamos um elevado monte, de bem meia milha de altura, de cima do qual subimos ainda um outro monte, porem não tão alto; caminhando quasi sempre com rumo norte ou nordeste cerca de uma milha alem chegamos a um rio arenoso e secco, cheio de penhascos; marchando mais duas milhas passamos perto do lado occidental de uma cachoeira, não muito íngreme, mas presentemente sem água, no rio que afflue para o Parahiba; no dito rio acampamos chuvendo durante a noite”.
As tentativas holandesas fracassaram. No ano de 1694, já sob o domínio português novamente, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi contratado pelo governo português para destruir Palmares. Em janeiro do mesmo ano numa investida contra Palmares foi capturado o quilombola Antônio Soares, este mediante a promessa de que seria libertado revelou o local onde o líder de Palmares estava escondido.

Localizado, Zumbi foi morto na Serra dois irmãos em Viçosa no dia 20 de Novembro de 1695. Seu corpo foi levado para Recife, onde foi exposto para amedrontar os outros escravos. Sem uma liderança Palmares foi totalmente destruído, muitos negros voltaram a escravidão, outros fugiram, por fim alguns foram perdoados e passaram a habitar a região sob a vigilância dos brancos, esse último fato explica o surgimento de povoações com origem quilombola em Viçosa, como o Sabalangá, Mata Escura e Caçamba. Parte das terras de Viçosa foram doadas ao capitão André Furtado de Mendonça, que foi um dos cabos de Jorge Velho.

 

O líder quilombola Zumbi dos Palmares.

Caminhos de Viçosa ( 1695 – 1790)
Nos próximos anos, Viçosa serveria apenas como passagem para outras localidades ou simplesmente pontos de encontros. Desse fato surgiram duas lendas sobre a fundação de Viçosa.

Obra de autor desconhecido que retrata a primeira missa de Viçosa.

A principal lenda sobre a povoação de Viçosa é que no ano de 1789 havia chovido fortemente e um sacerdote de Atalaia que todos os anos ia celebrar a missa do galo no povoado de passagem ao chegar á margem do riacho do meio, encontrou-o de tal maneira cheio que se viu impossibilitado de prosseguir viagem. Então o mesmo procurou um oiteiro mais próximo e ergueu uma cruz celebrando a missa ali. Essa cruz bem depressa atraiu romeiros, aos quais se devem as primeiras habitações, que provavelmente eram de madeira.

Outra lenda, pouco divulgada, é de que existia na margem do riacho gurungumba, no Sabalangá, um caçador chamado pelo nome de preto velho, e na margem do riacho Limoeiro existia outro caçador. Ambos companheiros de caça, eles marcavam como ponto de encontro o riacho que passa na parte central, mais ou menos a igual distância dos outros dois, o qual teve a denominação de Riacho do meio, nome esse que mais tarde se batizou o núcleo de povoamento que se fundou a sua margem.

Tempo de Sítio (1790 – 1831)
No ano de 1790 o agricultor Manuel Francisco ( ? – 1839) da cidade de Marechal Deodoro – foi por determinação do Ouvidor da comarca José de Mendonça de Mattos Moreira, estabelecer residência no sítio Riacho do Meio com o fim de experimentar ali a cultura do algodão.

Esse Manuel Francisco, que talvez fosse um dos romeiros da cruz, derrubou as grandes matas, fez um roçado, nas proximidades da atual praça Apolinário Rebelo, e logo depois construiu uma capela de madeira onde se encontra hoje a Igreja de nossa senhora do rosário. Do lado esquerdo da capela começaram a se alinhar as primeiras casas que também eram de madeira.

Homem trabalhador, o fundador de Viçosa estendeu os roçados para além da montanha do alto do cento e vinte. Esquecido pelo tempo, Manuel Francisco morreu em 1839 na fazenda mata escura, em extrema pobreza, relatou o octagenário João Teodoro.

Desbravadas as matas e espalhado a notícia de que as terras eram férteis, começaram a chegar moradores de todas as regiões, dentre eles portugueses de Marechal Deodoro e Santa Luzia do Norte, negros quilombolas e índios Cambembes, que após a guerra aos caetés, foram pouco a pouco voltando a Viçosa, mas tarde esses índios junto de outros índios mansos, formariam a classe proletária que trabalhava nos engenhos e roçados de Viçosa.

Dentre as familias que chegaram a Viçosa estão as famílias tronco, entre 1790 e 1846:

  • Família de Manoel Francisco –  datado de 1790, casou com Maria da Conceição,marco inicial da povoação do município;
  • Família Tenório – datada de 1823, com o agricultor e juiz da paz Sr. João Tenório de Albuquerque;
  • Família Raimundo Vieira – datada de 1829. Iniciando a prole com Raimundo José Vieira, português que veio se fixar no Sítio Boa Sorte casando-se com uma índio da tribo Cambembe.;
  • Família Holanda – datada de 1830. Iniciando com Antônio de Holanda Cavalcante e Luisa Tenório. Ambos fundaram o sítio Herva de Rato hoje pertencente ao município de Chã Preta;
  • Família Rebelo Torres – datada de 1835. Teve início com o nupcial entre Manoel Gomes Rebelo e Izabel da Rocha e Sousa;
  • Família Barreto Falcão – datada de 1836. Iniciando com Jerônimo Barreto Falcão e Izabel Silva;

  • Família Maia – datada de 1838, com o Coronel Manoel Alberto Maia e Rosa Maia de Jesus;
  • Família Mata – datada de 1838, com José de Oliveira Mata e Ana Costa, fundaram o engenho Veados em Viçosa;
  • Família Brandão – datada de 1840, iniciando sua prole com Pedro José da Cruz Brandão e Rita Maria das Flores Brandão, fundaram o engenho Barro Branco;
  • Família Soares de Vasconcelos – datada de 1842. Teve início com o patriarca Manoel Soares de Vasconcelos e Ana Berça;
  • Família Loureiro – datada de 1844. Teve início com Manoel José da Silva Loureiro e Antônia Maria da Piedade;
  • Família Teixeira de Vasconcelos – datada de 1844, tendo como patriarca Izidro Atanásio de Vasconcelos casado com Maria Frutuosa da Conceição, fixaram-se na Fazenda Floresta, atual município de Chã Preta;
  • Família Carnaúba – datada de 1845, com José Gonçalves Carnaúba e Rogéria Maria da Conceição Menezes.
  • Família Passos – datada de 1845, com Manoel Inácio de Oliveira e Ana Cândida. Seus Filhos Adotaram novos Sobrenomes tais como: Vilela, Vital Santos, Ferreira Passos, Oliveira Passos e Soledade;
  • Família Batista – datada 1846, teve início com João Batista de Sousa e Maria Joaquina da Costa.

Tempos de Vila ( 1831 – 1892)
O desenvolvimento do sítio era notável, principalmente devido à terra boa que de tudo dava. A pequena povoação, que antes se limitava as atuais Praça Apolinário Rebelo e a Rua do Centenário, já havia crescido rumo ao norte da cidade e ao oeste acompanhando as margens do rio Paraíba. Era necessário tornar-se independente politicamente, fato que ocorreu no dia 13 de outubro de 1831, quando a povoação do Riacho do Meio foi elevada à categoria de vila, desligando-se politicamente de Atalaia. Devido ao costume dos moradores de se reuni nas portas das casas para conversar sobre as plantações e assuntos ligados a província. A povoação do Riacho do Meio passou a se chamar Vila de Assembléia.

“Decreto de 13 de Outubro de 1831. Crêa as villas da Imperatriz e Assembléa. A regencia, em nome do Imperador, o Senhor Dom Pedro Segundo, ha por bem Sancionar, e Mandar que se execute a seguinte Resolução da Assembléa Geral Legislativa, tomada sobre outra do Conselho Geral da Provincia das Alagoas.Art. 1º Ficão creadas duas villas desmembradas da villa de Atalaia, uma ao norte e pela margem do rio Mundahú, no lugar da Camaratuba; sua capital a povoação do Macaco; seu territorio comprehendido nas povoações do – Macaco - Lage do Canhôto – Juçara - Cabeça de Porco - Murici e Branquinha, sua denominação Villa Nova da Imperatriz. - Outra ao norte do rio Parahyba e no lugar Riacho do Meio; sua capital a povoação do mesmo nome; seu territorio o comprehendido nas povoações Riacho do Meio - Lourenço - Passage – Quebrangula - Cassamba e Limoeiro - comprehendendo os juizes de paz das capellas filiaes das mencionadaas povoações, sua denominação - Villa Nova da Assembléa.Art. 2º A Cruz de S. Miguel ao Oeste divide as duas villas novamente creadas, e o termo da villa de Atalaia chegará até onde principiam as quebradas das Serras dos Dous Irmãos e Bananal, em cujo principio das quebradas é a sua divisão, e separação do termo da Villa Nova de Assembléa.José Lino Coutinho, do Conselho do mesmo imperador, Ministro e secretario do Estado dos negocios do Imperio etc. Palacio do Rio de Janeiro em 13 de outubro de 1831, 10 da Independencia e do Imperio. Francisco de Lima e Silva, José da Costa Carvalho, João Braulio Muniz, José Lino Coutinho.”
Em 10 de abril de 1835 foi criada a Paróquia do Senhor Bom Jesus do Bonfim. O primeiro vigário foi o sexagenário padre Manuel Joaquim da Costa, que paroquiou até 1837.

“Resolução numero 8 de 10 de Abril de 1835. (Sanccionada pelo presidente José Joaquim Machado de Oliveira).Art. 1.º Ficam creadas freguezias as capellas de Santa Maria Magdalena na villa da Imperatriz e do Senhor do Bomfim na villa da Assembléa.Art. 2.º Os termos dessas freguezias serão os actualmente marcados para as câmaras municipaes respectivas.Art. 3.º Ficam revogados todas as leis e disposições em contrario.Desta Secretaria do Governo foi publicada a presente resolução em 1º de Julho de 1835. Francisco Manuel Martins Ramos”.

A economia de Viçosa depois dos anos de algodão passou a ser os engenhos de cana de açúcar. O engenho mais antigo é o Bananal, fundado em 1836 pela família Carneiro da Cunha. Mais tarde em 1840 o português José Martins Ferreira construiu o engenho Boa Sorte, e em 1846, Pedro José da Cruz Brandão fundou o engenho Barro Branco.

Logo depois o plantio de cana se espalhou por toda a região. Conseqüentemente as matas foram cada vez mais derrubadas e os engenhos multiplicados. Em 1859 havia mais de 20 engenhos , produzindo todos mais de 80 toneladas de açúcar. A agricultura tornava-se cada vez mais importante, ano de 1870 existiam 40 engenhos, todos movidos a força animal, e no ano de 1890 esse número subiu para 70 engenhos, já com muitos movidos a máquinas a vapor.

Em 6 de Janeiro de 1856 a epidemia da cólera chegou a Vila da Assembléia, fazendo a sua primeira vítima. Inicialmente poucas medidas foram tomadas e como não havia cemitérios oficiais a cólera se espalhou rapidamente, causando muitas mortes. Depois para tentar reverter esse quadro, a principal medida foi à construção de um cemitério público. Dentro de seis meses a cólera foi contida. No ano de 1890 fora construído um novo cemitério, o atual, no final da Rua Assembleense pelo então frei Cassiano de Camacho. O escritor viçosense Alfredo Brandão descreveu, em seu livro Viçosa de Alagoas, a construção do cemitério.

Recordo-me que uma tarde eu e meu pae nos dirigíamos para a Viçosa.Quando chegamos no alto da Ladeira Vermelha, ponto culminante, onde toda a villa se descortina, paramos extasiados, como se tivéssemos deante de nós algum cosmorama oriental: uma compacta multidão movediça, enchendo a praça e as ruas, formava um longo cordão que subindo o monte pelo lado da cadeia, ia até o cume onde se estava construindo o cemitério. O sol poente, batendo em cheio nesse formigueiro humano, fazia resaltar as variegadas cores dos trajes e dava a todo conjuncto, visto assim de longe, um aspecto quasi phantastico. Através das ruas mal podia-se marchar, tal era a quantidade de gente que fervilhava, conduzindo pedras, cal, barro e areia para o cemitério. Nesse mistér empregavam-se não só os homens validos, como também os velhos, as mulheres e as creanças, cada um na quantidade de suas forças. Toda a vasta planície que se estende do lugar onde hoje é a estação da estrada de ferro até as immediações do engenho Brejo era como um vasto acampamento cheio de barracas, de choupanas, de ranchos e de redes armadas pela galharia das arvores.”

Em 10 de abril de 1872, a vila perdeu o território de Quebrangulo.

Devido às belezas de suas matas e a vitalidade de suas lavouras, lugar onde as agriculturas floresciam agriculturas florescia com muita fertilidade, no dia 25 de novembro de 1890, o nome da Vila foi mudada para Vila Viçosa.

No dia 24 de dezembro de 1891 a The Alagoas Railway Company Limited chegou à então Vila Viçosa. A vila recebeu a noticia com muita festa. O coronel Manuel Joaquim de Siqueira Sá e o vigário Loureiro ofereceram um baile para as pessoas que assistiam a inauguração, dentre elas o governador do estado Gabino Besouro. Foi a partir que o verdadeiro progresso tomou conta de Viçosa.

 

Estação Ferroviária de Viçosa construída em 1892.

Tempos da Cidade (1892 – 1950)
Em 1892 o então governador de Alagoas General Gabino Bezouro elevou Viçosa á categoria de cidade, na sessão realizada no dia 16 de Maio no mesmo ano.


“Gabino, Bezouro, Governador do Estado de Alagôas. Faço saber que o Congresso d’este Estado decreta e eu sancciono a resolução seguinte:Artigo 1º - É elevada á cathegoria de cidade de Traipú a villa do mesmo nome.Artigo 2º - É igualmente elevada á cathegoria de cidade a villa Viçosa.Artigo 3º - Revogam-se as leis e disposições em contrario.Palácio do Governador de Alagoas em 16 de Maio de 1892, 4º da Republica - Gabino Bezouro”.

Restava agora à nova cidade torna-se judicialmente independente do de Atalaia, fato este que ocorreu no dia 12 de julho de 1893 com a criação da comarca de Viçosa. O juíz de direito e o promotor foram, respectivamente, Luís de Castro Barroca e Alípio Minervino da Silva, ambos empossados perante o conselho municipal, presidido pelo Coronel Apolinário Rebelo

Em 1900 foi construída a matriz de Viçosa, pelo então vigário Loureiro. E no final da década de 1910 foi construido o Palácio da Águia, pelo intendente Aureliano Tavares de Menezes, que funcionou como sede da administração municipal durante décadas.

 

Igreja Matriz construída em 1900.

A partir da década de 1930, a literatura e a cultura popular de Viçosa ganharam força, a “escola folclórica de Viçosa”, composta por José Aluísio Vilela, José Maria de Melo, José Pimentel de Amorim e Téo Brandão, ganhou o cenário literário estadual e nacional. A música envolvente do Zé do Cavaquinho contagiou a todos e a poesia de José Aragão deu ênfase à cultura popular. No ano de 1931 foi lançado o álbum do Centenário, um livro que comemorava os 100 anos da emancipação política da cidade, organizado por Manuel Brandão Vilela. Viçosa até o mesmo ano, chegou a ter tido na sua história mais de 29 jornais, almanaques e revistas. O primeiro jornal foi “A mocidade” em 1873, de Manuel Raimundo da Fonseca.

Ruínas da Antiga Usina Boa Sorte.

Na década de 1940 foram construídas duas usinas de cana de açúcar, a Usina Recanto e a Usina Boa Sorte, ambas atualmente extintas, hoje encontrassem apenas as ruinas.


Em 30 de dezembro de 1943, o então presidente do Brasil Getúlio Vargas decretou que ficava proibido o mesmo nome para mais de uma cidade brasileira, e como no estado de Minas Gerais já havia uma Viçosa com o nome mais antigo, a Viçosa de Alagoas voltou a se chamar Assembleia.


Em 17 de Setembro de 1949, após varias reivindicações, foi decretado que o então município de Assembléia volta se chamar Viçosa.

Atualidade (Desde 1950)
Em 1950 o município de Viçosa possuía quatro distritos - Viçosa, Anel, Chã Preta e Pindoba. No dia 10 de Outubro de 1957 foi decretado pela lei estadual nº 2070 que o então distrito de Pindoba passara a categoria de cidade. Viçosa perdeu cerca de um terço do seu território. No dia 2 de fevereiro de 1960 foi a vez do distrito de Chã Preta, que pela lei nº 2432 passara a categoria Cidade, formando assim o atual território do município de  Viçosa, que é composto por dois distritos – Viçosa e Anel.


No fim da década de 1960 e no inicio da década de 1970, as respectivas administrações investiram maciçamente na urbanização e na infraestrutura municipal. Foram realizadas as seguintes obras: construção das varandas nas ruas Assembleense e Epaminondas Gracindo, o mercado público, galpões de feiras, além de um novo conjunto habitacional (COHAB). A cidade ganhou um aspecto moderno, nunca visto antes.


Na década de 1980, devido ao grande número de pessoas que deixavam o campo em direção a cidade (êxodo rural), a população urbana de Viçosa cresceu rapidamente, e essas pessoas ficavam pelas ruas ou em casebres de lona. Então a prefeitura municipal de Viçosa, com o apoio do governo federal, elaborou um projeto de construção de um mutirão na então fazendo Santana, localizada na parte Sul da cidade. Após anos de construção e a conseqüente finalização a cidade de Viçosa praticamente dobrou de tamanho.


Na década de 1990, devido aos mesmos problemas foram construídos mais dois mutirões, estes de menores proporções, frei Damião e Padre Cícero, ambos localizados na parte oeste da cidade.


Em 1960 existiam mais de 133 engenhos de açúcar funcionando em Viçosa, com o passar dos anos a agricultura vem perdendo força e cedendo local para a pecuária. Viçosa já tem o maior rebanho de suínos e o segundo maior rebanho de gado do estado de Alagoas.
A ferrovia que trouxe um grande progresso à Viçosa foi desativada, dando o trem de passageiros MS-15 sua última viagem em 31 de agosto de 1961. Atualmente a ferrovia vem sendo restaurada e reativada para, principalmente, o transporte de cargas.


Nos próximos anos da década de 1990 e início do século XXI, Viçosa praticamente parou no tempo, milhares de pessoas deixaram a cidade rumo, principalmente, à capital. O auge desta estagnação econômica e social foi à administração de 1997 a 2000, onde o então prefeito foi afastado por corrupção em 1999.


No início do Século XXI Viçosa voltou a crescer, desta vez rumo a Leste. O comércio ganhou novas lojas. Com as finanças da prefeitura recuperadas pela gestão de 2005 a 2008 a administração municipal pode investir em obras públicas. O municipio continua ser um centro do Vale do Paraíba do Meio. Em 2006 foi reativado o Pólo de extensão da UFAL, na fazenda São Luiz, onde desde então funciona o curso de Medicina Veterinária.